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Ortóptica - o Passado


Mas, como «grande é o futuro por nascer» (Miguel Torga), o Ortoptista do futuro com a identidade dinâmica que adquiriu terá de continuar a adaptar-se às transformações, continuar a acompanhar a mutação constante da sociedade, do ensino, dos saberes, a transformação técnico-cientifica, a adopção de novas metodologias e a adequação a novas tecnologias.

O Ortoptista do futuro, para adaptar-se às transformações técnico cientificas, para acompanhar a evolução tecnológica e manter o papel imprescindível na prestação de cuidados da saúde da visão, terá acima de tudo, de investir na investigação e promover, ainda mais, a sua formação académica, e o «melhor meio de se preparar para o futuro é concentrar-se com toda a inteligência e com todo o entusiasmo no trabalho que estiver realizando hoje» (William Osler).

« O passado é muito tempo...»
(Mia Couto)

É longo o tempo e o passado da Ortóptica, intimamente ligado à história do estrabismo. Se recuarmos no tempo descobrimos como se justificava o estrabismo no ano 2 600 a.C. e que a palavra estrabismo deriva de um geógrafo da Alexandria de nome STRABO e que por acaso tinha um desvio de um dos olhos.

Máscara de Paulus Aeginata A palavra Ortóptica, remonta ao Séc. VII, associada a um físico grego, Paulus Aeginata que procurava com uma máscara totalmente opaca, apenas com dois orifícios corrigir a posição dos olhos, alterando a sua linha visual, numa tentativa de treinar os olhos "a ver direito": ortho optikos - do grego ortho-direito, optikos-olhos. E assim surge a palavra ORTÓPTICA e a primeira abordagem prática do tratamento do estrabismo.

As primeiras teorias para justificar o aparecimento do estrabismo emergem no Séc. VIII e a diversidade dos conceitos cientificos influenciam a abordagem diagnóstica e terapêutica do estrabismo, levando ao surgimento de diferentes ciclos ou eras de desenvolvimento.

A Ortóptica vai-se afirmando e acompanhando os diferentes ciclos e torna-se profissão regulamentada em 1930, no Reino Unido. Mary Maddox é considerada a primeira ortoptista mundial.

Em Portugal, a primeira ortoptista portuguesa Maria Teresa Trigueiros, faz a formação em Londres, no actual Moorfield Eye Hospital e em 1958 inicia a sua actividade profissional no Porto, no Hospital Militar como voluntária.

Em 1963, surge o primeiro curso de Ortoptistas no então Hospital Escolar de S.João no Porto.

Mais de sete décadas decorreram desde a fundação por Mary Maddox, da primeira clinica de Ortóptica e quatro décadas desde o início do ensino em Portugal. Entre o início da década de 1960 e os nossos dias a estrabologia e a oftalmologia em Portugal vão-se desenvolvendo e consolidando na mesma proporção ao desenvolvimento e implementação da Ortóptica e com consequentes diferentes períodos de formação.

Adaptados à realidade presente, os ortoptistas de hoje, embora mantendo importante papel no diagnóstico e na terapêutica do estrabismo- ainda a sua área nobre de actuação, a sua área de excelência, a sua paixão -, colaboram e actuam no âmbito das diferentes áreas complementares da oftalmologia moderna.

(ver artigo...)

Ilda Maria Poças
Mestre em Reabilitação, especialidade de Deficiência Visual
Prof. Adjunta
Coordenadora do Curso Superior de Ortóptica da ESTeSL

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